por Carlos Mina | mar 10, 2025 | Gestão e Liderança
Não, eu não vou começar este texto explicando o que é liderança, líder, liderar, liderado, ou coisa que o valha. Não, eu não vou pegá-lo para Cristo, como se costuma dizer, para explorar conceitos acadêmicos. Há livros demais abordando este assunto, inclusive o meu “Dialeto Gerencial”, que escrevi para atender também a esta finalidade. Entretanto, se você já é um líder ou tem aspiração e inspiração para tanto, pense e responda para você mesmo o seguinte: você gosta de gente? É isto mesmo. Você gosta de pessoas?
Reflita profundamente:
Pessoas são seres humanos complexos (não são difíceis, são complexos), possuem personalidade, pensam por si só, respiram de forma independente, falam, ouvem, expressam opiniões, enfim…
Pessoas andam por ai, algumas almejam ser livres e autônomas, tem vontades e desejos, esboçam aspirações, são criativas, espontâneas, querem se relacionar, se metem na vida de outras pessoas, riem, bem…
Pessoas dormem, acordam, cochilam (algumas no trabalho), suam, se alimentam, fazem cocô, xixi, soltam pum, vomitam, bebem, muitas fumam, ora…
Pessoas reclamam, resmungam, choram, ficam deprimidas, brigam, ficam de mal, fazem as pazes, são rancorosas, querem ir à forra, ah…
Pessoas são irreverentes, desobedecem, questionam, manifestam opiniões, discordam, reclamam dos chefes e da empresa, hum…
Pessoas perdem outras pessoas queridas, desistem da vida, perdem entusiasmo, casam, separam, casam de novo, criam filhos, têm netos, parentes, amigos, cuidam de bichos, ufa…
Por fim, pessoas são pessoas. São seres humanos inigualáveis, com uma capacidade sensorial e intuitiva fantástica, e muitas virtudes. Mas… são pessoas. Costuma-se dizer que o inferno são os outros… contudo, o paraíso também.
Olhe as pessoas ao seu redor, não somente aquelas do seu convívio, com quem você já se acostumou, mas a todas que atravessam o seu caminho e entram na sua vida por alguma razão, situação ou circunstância do cotidiano. Descubra o óbvio. Somos todos iguais. Elas, as pessoas, pertencem à mesma categoria de humanos que você. São seus semelhantes. O que nos torna seres de pequena grandeza é a impertinência, a rabugice, a ranhetice, a vaidade exagerada, o orgulho, a desconfiança, a ganância… O que nos torna seres de quinta grandeza é a esperança, a solidariedade, a alegria, a afetividade, o companherismo, a fé, a compaixão, a empatia…
Seres humanos são mesmo seres complexos e, nas empresas, a tendência é essa complexidade ganhar outras dimensões, pois, afora tudo o que vimos anteriormente, ainda se somam: o status do cargo, o poder de influência, o conhecimento, o tempo de casa, a hierarquia…
Afinal, o que leva as pessoas a se tornarem autênticos lideres? Certamente, é a capacidade de saber lidar com essas complexidades humanas, o que vai exigir: a pratica da justiça, a sensatez, a coerência, o respeito, a ética, o amor ao próximo, o tratamento humano…
Então…, você gosta de gente? Você gosta de pessoas? Ótimo. Bem vindo à liderança!
AUTOR: CARLOS MINA – consultor, palestrante e escritor (imprima e divulgue, se desejar, mas não omita a fonte).
por Carlos Mina | mar 10, 2025 | Gestão e Liderança
É claro que eu acredito em planejamento e na sua eficácia, e o coloco em prática no meu trabalho e na minha vida cotidiana. E nem poderia ser diferente, pois a minha formação acadêmica é em administração de empresas, e administração, na essência, significa planejamento. Administrar é planejar! – e vice-versa. Existem muitos conceitos teóricos sobre planejar, assim como a respeito de organizar, controlar e dirigir – fatores esses que fundamentam a administração. Não vou descrever cada um desses fatores porque não é esse o objetivo do texto.
Mas, o que importa mesmo é que, normalmente quando alguma situação impede que se atinja os resultados programados (na empresa ou fora dela), o primeiro a ir para o ‘tronco’ é o planejamento… ou melhor: o administrador. Isto é um fato! E aqui vai uma ressalva construtiva: ‘tronco’, segundo o dicionário, é: pau fincado no chão, ao qual se amarravam escravos para os surrar. Bem, os tempos são outros, e nas empresas, o ‘tronco’ (mero simbolismo, é claro) é representado pela perda de bônus e de oportunidades de ascender a novos cargos, e pela demissão sumária quando as perdas são significativas para os negócios, ou ainda, quando há negligência do administrador (entenda aqui, todo e qualquer gestor).
O planejamento está ligado a três pontos-chave: visão de negócios, estratégia, e capacidade de gerenciar os dois primeiros. Como disse certa vez o senhor Peter Drucker (considerado o mais importante e influente estudioso de gestão do mundo): “- prever o futuro é inútil, você deve gerenciá-lo. Nesse sentido, duas premissas são imprescindíveis: 1. saber detectar o futuro que já aconteceu, mas ainda não foi percebido e 2. fazer acontecer, ou seja, inventá-lo”. E eu complementaria assim: a tendência dos fatos nos permite antever o futuro.
Desta forma, o planejamento exige muito mais do que a tarefa de formalizar um plano de ações. É preciso saber olhar à frente para obter resultados, ter prontidão para mudanças e flexibilidade para adaptações, e igualmente é necessário persistir, insistir, seguir de perto, intuir, incomodar, importunar, envolver pessoas, discutir ideias, etc. São esses quesitos que precisam ser gerenciados por um administrador eficaz, para fazer acontecer. Do contrário, nem a melhor das boas intenções em acertar o alvo vai salvá-lo do ‘tronco’… quero dizer: do fracasso da não realização. As estratégias dão errado mais frequentemente porque não são bem executadas. Os vencedores, quer sejam empresas quer sejam departamentos ou setores de uma organização, creia, alcançam suas vitórias na competência da execução – transformam discursos em ações, e as perseguem.
Lembro-me bem do que nos ensinou um professor de planejamento nas aulas de estratégia, no curso de administração: “- qualquer pessoa é capaz de planejar, obter recursos e até controlar (até vocês são capazes – ‘brincava’); o mais difícil, porém, é a execução – o fazer acontecer, a capacidade de gerenciar – e isto não é para qualquer pessoa”. É preciso ter foco, concentração e uma perseverança “canina” para perseguir o plano traçado, como também é fundamental ter iniciativa e… ‘acabativa’, para chegar aonde se deseja. Em outras palavras: nadar, nadar e morrer na praia, é um insulto para os bons administradores.
Gerenciar o planejado está associado à tomada de decisão. Portanto, saber decidir no tempo certo ou oportunamente é fundamental para se atingir um resultado. Se você deseja sair da posição atual (presente) para uma posição almejada (futuro), decida o que e como fazer, e gerencie pessoalmente cada passo e movimento. A execução está para as metas, como o planejamento está para os objetivos. Resumidamente: planejamento é um conjunto de meios organizados para se alcançar um fim, dispostos como um sistema integrado de decisões. É um método para produzir um resultado articulado.
Muitos profissionais são eficientes em planejar e traçar planos de trabalho, mas encontram dificuldades e se mostram ineficazes para incorporar a disciplina da execução. E executar significa gerenciar… que significa administrar… que significa organizar e controlar… Costumo dizer em meus treinamentos, que o papel do gestor, em uma empresa, se sustenta em dois pilares principais, que são: gerenciar resultados e desenvolver pessoas. Tudo o mais é uma consequência direta ou indireta dessas ações.
Moral da história: não basta apenas planejar (eu, tu, nós), é preciso fazer acontecer. Caso contrário, ele, o concorrente, faz. Ponto! Logo, se você insistir apenas em dar foco ao ato de planejar e não, especialmente, à disciplina de executar, é provável que ao invés de ir para o ‘trono’ pelos resultados alcançados, você vai acabar no ‘tronco organizacional’, e pelas desculpas de sempre: o problema é que….; eu até tentei…; a minha sogra é a grande…
Sucesso. E ótima execução… do planejado!
AUTOR: CARLOS MINA – consultor, palestrante e escritor (imprima e divulgue, se desejar, mas não omita a fonte).